CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934
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A simbologia dos octópodes nos povos pré-cristãos
- A antiguidade e a persistência do símbolo do octópode na Europa antiga
- A impossibilidade de afirmar uma transposição direta para a simbológica cristã
- A improbabilidade de uma rejeição deliberada pelos primeiros pensadores da fé cristã
- A abrangência do símbolo que reunia diversos cefalópodes
- A designação de seres como sépia, calmar, lula, argonauta, náutilo, polvo e pieuvre sob um mesmo símbolo
- As características físicas principais: corpo oval ou globular, cabeça grande e curta, oito braços e, nalgumas espécies, dois longos tentáculos com ventosas
- A observação da força considerável dos braços dos polvos para capturar presas
- A constatação de que o simbolismo pré-cristão não se fundamentava na sua energia física
- A crença nas origens aquáticas da vida e a sua relação com o octópode
- A concepção partilhada por Créticos, Pré-Micénicos, povos do Próximo Oriente e regiões do norte
- A concordância desta concepção com o relato mosaico da criação no Livro do Génesis
- A exceção da terra de Israel nesta representação simbólica
- A eleição da imagem do octópode para simbolizar o aparecimento primordial da vida nas águas
- A interpretação dos braços dos octópodes como símbolo de fecundidade e movimento
- A informação do asiático Saï-Taki-Movi sobre o simbolismo de "brasamento" ou "batedura" das substâncias seminais
- A ligação deste movimento à génese das figuras rotativas: a cruz pré-cristã de braços iguais, a roda, os trísqueles, os tetrásqueles e os suásticos
- A gratidão pela vida e a reprodução como fundamento do símbolo
- O sentimento de reconhecimento à Divindade pelo dom da vida como uma preocupação central do homem primitivo e dos antigos sábios
- A representação do princípio da vida e da propagação através de ovos e sementes
- A figuração do octópode simbólico como emblema deste princípio vital nos distantes milénios
- A prolificidade dos octópodes como reforço do seu simbolismo
- O testemunho de Aristóteles e Plínio sobre a grande fecundidade dos polvos
- A confirmação desta prolificidade pelos naturalistas modernos
- A interpretação académica do símbolo do octópode
- O consenso dos simbolistas em relacionar as figuras antigas de octópodes com o desabrochar da vida e a sua própria essência no reino animal
- A hipótese de uma origem hiperboreal do símbolo, posteriormente difundida para a bacia mediterrânica
- A observação de René Guénon sobre a diferença estilística nas representações: braços estendidos nas regiões nórdicas e braços enrolados em espiral nas regiões meridionais
- A referência a uma placa de ouro de um túmulo da Acrópole de Micenas com a sépia simbólica
- A antiguidade e a persistência do símbolo do octópode na Europa antiga
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A transição para a simbológica cristã e a sua seleção animal
- A escolha de animais pela simbológica cristã para representar Cristo
- A representação de Jesus Cristo como princípio e fermento de toda a vida, redentor, restaurador, sustentáculo e amigo da alma humana
- A representação de Cristo como campeão incansável e triunfante do Bem, juiz soberano, mestre divino da doutrina e rei universal e eterno
- A presença constante destes símbolos animais ao longo dos séculos cristãos
- A sua manifestação tanto nas obras eruditas como nas expressões de devoção popular
- A caracterização destes símbolos como um hino à glória do Salvador
- A evocação de textos bíblicos perante o conjunto da simbológica animal de Cristo
- A reminiscência espontânea de passagens das Escrituras, como a do Livro de Daniel, que convoca toda a criação a louvar o Senhor
- A menção específica aos monstros marinhos, às aves do céu, aos animais selvagens, aos rebanhos e aos filhos dos homens
- A escolha de animais pela simbológica cristã para representar Cristo
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A raridade e a interpretação do emblema do octópode na arte cristã
- A escassez de representações do polvo e da sépia na arte cristã
- A menção a uma possível exceção: uma cornija com polvos ou sépias esculpidos numa igreja monástica da Bósnia
- A hipótese de esta representação evocar a criação da vida através de um emblema local transposto para o contexto cristão
- A separação conceptual entre a sépia e o polvo no pensamento cristão medieval
- A integração destes animais no hermetismo medieval e na emblemática das virtudes e dos vícios
- A necessidade de examinar separadamente a sépia e o polvo devido a esta distinção
- A escassez de representações do polvo e da sépia na arte cristã
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A sépia como emblema da virtude da Humildade
- O consumo de sépia nos mosteiros medievais
- A documentação que atesta o fornecimento de sépias para a Quaresma aos monges de Noirmoutier e da abadia do Lieu-Dieu-en-Jard
- A analogia que fundamenta o símbolo
- O mecanismo de defesa da sépia: a libertação de uma secreção negra ("tinta") para obscurecer a água e fugir
- A comparação com o monge que se refugia na obscuridade humilde do claustro para escapar aos inimigos espirituais e salvar a sua alma
- A elevação da sépia a emblema da virtude da Humildade
- O consumo de sépia nos mosteiros medievais
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O polvo como emblema de Satanás e dos vícios
- A inversão da valência simbólica do polvo na tradição cristã
- A aversão da Simbólica cristã pelo polvo, outrora objeto de veneração
- A transformação do polvo na imagem de Satanás
- As origens pagãs da associação do polvo aos vícios
- A ligação feita por filósofos gregos, como Focílides, entre o polvo e o vício da Avareza
- A justificação: a avareza faz o homem aglutinar tudo o que toca, tal como o polvo
- A apropriação cristã do símbolo para representar o Diabo
- A imagem do "ravisseur infernal" das almas que as atrai, enlaça e devora
- O conhecimento antigo e moderno das artimanhas predatórias do polvo
- A representação de crustáceos e golfinhos cristicos a combater e a devorar o polvo satânico
- A referência a exemplos concretos: pedras gravadas da coleção Foggini (século IV) e o anel pastoral do bispo Adémar de Angoulême (1070-1101)
- A citação de Santo Ambrósio por Denys-Montfort
- A comparação do polvo com o "leão rugiente" da Primeira Epístola de São Pedro, que rodeia os fiéis procurando a quem devorar
- A extensão do simbolismo do polvo à Hipocrisia e à Traição
- A analogia entre o abraço mortal do polvo e o beijo traiçoeiro de Judas
- A maldição simbólica que une ambos
- A representação do polvo como a prostituta que atrai o homem para o seu prejuízo
- A associação hermética do polvo ao signo zodiacal do Caranguejo
- A correspondência do Caranguejo com o solstício de verão e com a "Janua inferni" (Porta do Inferno)
- A oposição ao Capricórnio, que representa o solstício de inverno e a "Janua cœli" (Porta do Céu)
- A identificação de Cristo como a "Porta" (João 10:7,9) e, por consequência, a "Janua cœli"
- A conclusão de que a "Janua inferni", caracterizada pelo Caranguejo e pelo polvo, só pode representar Satanás
- A trajetória simbólica do polvo
- A transformação de um símbolo do divino dom da vida num emblema da morte eterna e da condenação
- A entrada nesse estado pela "Janua inferni" satânica
- A inversão da valência simbólica do polvo na tradição cristã
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A astéria e a medusa no simbolismo das origens da vida
- As características comuns e a proximidade com os outros cefalópodes
- A astéria (estrela-do-mar)
- A descrição morfológica: zoófito radiado com cinco braços
- A prolificidade e a vitalidade excecional: capacidade de regeneração
- A possível influência desta energia vital na sua associação simbólica aos octópodes
- A sua representação estilizada em figuras swastikóides
- A persistência no folclore como amuleto benéfico (exemplo de Hyères, 1920)
- A medusa
- A descrição morfológica: massa gelatinosa, translúcida, com braços tentaculares
- A semelhança com a cabeça da Górgona da mitologia grega
- A origem provável do seu nome a partir desta semelhança
- A tradição folclórica atlântica que a considera veículo das almas de crianças mortas sem batismo
- A interpretação espiritual como emblema do abandono da alma à Providência Divina
- A referência a grafitos de medusas na antiga prisão do donjon de Loudun, junto a símbolos herméticos como a "Triple-Enceinte"
- A participação no mesmo simbolismo primordial de vida
- A partilha com o polvo e a sépia do simbolismo do surgimento da vida nas profundezas marinhas
- A ligação última deste simbolismo ao Verbo criador e encarnado, segundo o Evangelho de São João